Associação dos Fiscais Fazendários de Ribeirão Preto/SP

A hora e a vez de repensar o sindicalismo

Nos últimos anos os sindicatos, principalmente os dos servidores públicos, não tem conseguido passar para a sociedade uma imagem da importância do serviço público e dos seus servidores. Sem querer abarcar todas as causas da imagem negativa do serviço público, entendemos que vale a pena comentar alguns dos principais motivos do fracasso das entidades sindicais doas servidores públicos. A greve, que é um instrumento legítimo, tem sido utilizada, na maioria das vezes, para qualquer fim e a qualquer hora, não se levando em consideração a sociedade. Isso é um erro, pois três são os principais pilares da democracia, a sociedade organizada, a mídia e o parlamento. Se na época da ditadura, os movimentos de paralisação eram vistos como afronta ao regime de força, hoje, são vistos como causadores de prejuízos para a sociedade. E isso é simples de entender. O que choca mais: a falta de reposição salarial para o servidor ou a situação de um idoso e doente que ficou horas ou dias na fila sem atendimento na previdência ou no setor de perícia e que depende de um auxilio doença ou aposentadoria, muito menor que a remuneração do servidor paralisado? É evidente supor que a sociedade organizada, a mídia e o parlamento vão se sensibilizar mais com aquele idoso. Então como fazer para demonstrar a esses setores a importância dada que se reivindica? A resposta está em deixar de defender apenas interesses corporativistas e colocar-se ao lado da sociedade na busca de seus legítimos interesses. Não se trata aqui de defender que uma entidade do fisco municipal de Goiânia, vá apoiar a salvação das baleias africanas, mas de interesses sociais ligados a sua área de atuação. A título de exemplo, o Sindigoiânia tem duas campanhas, uma voltada a favor de Plano de Cargos e Salários único, melhor remuneração do servidor público municipal e outra a favor de um Serviço Público de qualidade. Essa última campanha, será vítima de ataque de outras entidades, defensoras ferrenhas de um corporativismo cego e surdo. É fácil argumentar a favor de um serviço público de qualidade quando o contribuinte no Brasil paga uma das maiores carga tributária do continente e a contra partida dos serviços não corresponde a sua expectativa. Na medida que os usuários do serviço público são melhores atendidos, as atividades dos agentes do setor público serão reconhecidas e valorizadas, ou seja, o reconhecimento dos servidores será decorrência natural. Se um sindicato não deve aparecer somente quando faz greve por reajuste salarial, também não deve aparecer quando um de seus representantes candidata-se a um cargo eletivo. Ou seja, os dirigentes sindicais têm que se preocupar mais com os trabalhadores que representam do que com o apoio a partido ao qual estão atrelados. A ligação estreita de sindicatos com partidos políticos tem sido extremamente nociva para seus representados. Os sindicatos deveriam atuar de forma independente. Resumimos então algumas das características que deveriam nortear um novo sindicalismo: independência, politização sem partidarismo, preocupação com a sociedade, a chamada responsabilidade social, autenticidade com a mídia, atuação no parlamento e legitimidade no trato dos interesses dos representados.









Elísio Gonzaga da Silva
Auditor Fiscal Aposentado e Vice-Presidente do Sindigoiânia

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